Calor e menos chuva: El Niño coloca Agreste e Sertão de Pernambuco em alerta

14 de agosto de 2026 Sociedade
Redação Tu Visse por Redação Tu Visse

O Agreste e o Sertão de Pernambuco estão entre as regiões que podem sentir de forma mais intensa os efeitos do El Niño nos próximos meses. O fenômeno climático, associado ao aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico equatorial, tende a alterar os padrões de chuva e temperatura em diferentes partes do mundo e, no Nordeste brasileiro, aumenta o risco de períodos mais secos.

Em Pernambuco, a Agência Pernambucana de Águas e Clima (APAC) já havia alertado para a possibilidade de agravamento da estiagem com a intensificação do fenômeno. Segundo a meteorologista da agência Edvânia Pereira dos Santos, a intensidade do El Niño será um dos fatores determinantes para o comportamento das chuvas no Estado.

O cenário ganhou atenção novamente nesta semana após a atualização da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA). O órgão estima em 90% a probabilidade de o El Niño atingir uma intensidade muito forte entre outubro e dezembro de 2026. Há ainda 69% de possibilidade de que o episódio alcance níveis considerados historicamente elevados.

A Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) elevou para 90% a probabilidade de que o fenômeno El Niño seja “muito forte” no final de 2026, entre os meses de outubro e dezembro. Esse índice aumentou comparado ao mês anterior, quando estava em 81%. Há também 69% de chance de o evento ser historicamente intenso, podendo superar episódios observados desde 1950. O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico equatorial, impactando padrões de vento e de chuva em diversas regiões do mundo. Atualmente, a temperatura da superfície do mar nessa área já está mais de 2°C acima da média. No Brasil, as previsões indicam chuvas acima do normal no Sul e abaixo da média no Norte e Nordeste, além de temperaturas mais elevadas em grande parte do país, com riscos de queimadas no Pantanal e na Amazônia. A próxima atualização da NOAA está prevista para 10 de setembro de 2026.

Interior pode enfrentar mais calor e menos chuva

No caso de Pernambuco, os efeitos preocupam principalmente as áreas do interior, onde as temperaturas já são naturalmente elevadas e a disponibilidade de água é mais limitada.

O Sertão, que possui clima predominantemente semiárido, pode enfrentar uma combinação de temperaturas elevadas, maior evaporação e redução das chuvas. No Agreste, a diminuição das precipitações também pode comprometer a recarga de reservatórios, a agricultura e a disponibilidade de água para as atividades rurais.

Um boletim climático divulgado por instituições meteorológicas do Nordeste, com participação do Instituto Nacional do Semiárido (INSA), apontou maior probabilidade de chuvas abaixo da média em áreas de Pernambuco e temperaturas acima do normal em todos os estados nordestinos no período de julho a setembro.

Impactos na agricultura e nos reservatórios

A possível redução das chuvas representa uma preocupação adicional para agricultores e pecuaristas. A menor disponibilidade de água pode afetar lavouras, pastagens e a criação de animais, além de aumentar a necessidade de estratégias de armazenamento e uso racional dos recursos hídricos.

No Sertão pernambucano, onde a agricultura irrigada possui importância econômica, períodos prolongados de calor e baixa precipitação também podem elevar a demanda por água.

O cenário exige atenção especial aos reservatórios. Dados divulgados em junho apontavam que parte das barragens monitoradas pela APAC já apresentava situação crítica, com concentração de reservatórios em situação de colapso no Agreste e no Sertão. 

El Niño não age sozinho

Apesar dos alertas, especialistas ressaltam que o comportamento das chuvas em Pernambuco não pode ser explicado exclusivamente pelo El Niño.

Estudos realizados sobre o regime de precipitação no Agreste mostram que a influência do fenômeno varia de acordo com sua intensidade e com a interação com outros sistemas climáticos, especialmente as condições do Oceano Atlântico.

Por isso, a previsão deve ser acompanhada ao longo dos próximos meses. A intensidade do El Niño, sua duração e a interação com os demais sistemas atmosféricos serão importantes para determinar o tamanho dos impactos sobre Pernambuco.

A tendência, neste momento, é de um segundo semestre e início de 2027 que exigem atenção redobrada, principalmente nas áreas do Agreste e do Sertão, onde a irregularidade das chuvas e a vulnerabilidade hídrica tornam a população rural mais exposta aos efeitos de uma possível intensificação da estiagem.

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