TCE-PE determina fiscalização do piso dos professores em Garanhuns após denúncia de Liana Cirne

10 de agosto de 2026 Sociedade
Redação Tu Visse por Redação Tu Visse

O Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco (TCE-PE) determinou a realização de fiscalização para verificar o cumprimento do Piso Salarial Nacional do Magistério em Garanhuns, no Agreste de Pernambuco, após representação apresentada pela vereadora do Recife e professora de Direito da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Liana Cirne (PT).

A medida ocorre no contexto de uma ofensiva da parlamentar para cobrar das administrações municipais o cumprimento da Lei Federal nº 11.738/2008, que estabelece o piso salarial nacional dos profissionais do magistério da educação básica.

Em 9 de julho, Liana Cirne protocolou 37 novas representações contra municípios pernambucanos, encaminhadas ao Ministério Público de Pernambuco (MPPE), ao Ministério Público do Trabalho da 6ª Região (MPT-6) e ao TCE-PE. Garanhuns está entre os municípios citados na nova rodada de denúncias, que tem como foco principalmente a situação dos professores contratados temporariamente.

Segundo as informações apresentadas nas representações, estão sendo questionadas possíveis irregularidades relacionadas ao pagamento do piso nacional, além de aspectos envolvendo a contratação e as condições de trabalho dos professores temporários.

A atuação de Liana faz parte do chamado “Pisômetro da Educação”, iniciativa criada pela parlamentar para acompanhar o cumprimento do piso do magistério nos municípios pernambucanos. A primeira etapa da mobilização foi construída a partir de relatos de professores e representantes sindicais de mais de 40 cidades do Estado.

Entendimento do TCE-PE

A fiscalização em Garanhuns também ocorre em um cenário no qual o próprio Tribunal de Contas já firmou entendimento sobre a obrigatoriedade do pagamento do piso nacional aos professores contratados temporariamente.

Em decisão referente ao município de Xexéu, o TCE-PE considerou obrigatório o pagamento do piso salarial nacional previsto na Lei nº 11.738/2008, inclusive aos professores contratados por excepcional interesse público.

O Tribunal também informa que utiliza mecanismos de fiscalização para identificar possíveis irregularidades relacionadas ao pagamento do piso salarial dos professores nas folhas de pagamento dos municípios pernambucanos.

Piso nacional

Para 2026, o piso nacional do magistério foi reajustado em 5,4%, passando para R$ 5.130,63 para profissionais com jornada de 40 horas semanais, conforme a Portaria nº 82/2026 do Ministério da Educação. 

Com a determinação do TCE-PE, a situação de Garanhuns passa a ser objeto de acompanhamento pelo órgão de controle externo, que deverá verificar a regularidade dos pagamentos e a adequação da política municipal às normas que regulamentam o piso nacional do magistério.

A representação, por si só, não significa que o município tenha sido definitivamente responsabilizado por irregularidades. Cabe ao Tribunal analisar os dados e documentos relacionados à folha de pagamento e, a partir da fiscalização, apontar eventuais inconsistências e determinar as providências que considerar cabíveis.

A iniciativa amplia a pressão dos órgãos de controle sobre as prefeituras pernambucanas para o cumprimento da legislação que garante o piso salarial aos profissionais da educação básica.

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