Pernambuco terá sete unidades prisionais incluídas em plano nacional de segurança máxima

19 de outubro de 2026 Sociedade
Redação Tu Visse por Redação Tu Visse

Sete unidades prisionais de Pernambuco devem receber reforço nos mecanismos de segurança como parte de uma iniciativa do Governo Federal voltada ao enfrentamento das organizações criminosas. A medida integra o projeto Padrão Segurança Máxima (PSM), que prevê o uso de novas tecnologias, o aprimoramento dos procedimentos de fiscalização e a capacitação de policiais penais.

De acordo com informações publicadas pelo Jornal do Commercio, os presídios pernambucanos estão entre os 138 estabelecimentos selecionados em todo o país. O levantamento nacional identificou unidades consideradas estratégicas por concentrarem lideranças de organizações criminosas, incluindo integrantes de grupos como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV).

A iniciativa, coordenada pela Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen), busca ampliar o controle dentro das unidades prisionais e dificultar a comunicação entre pessoas presas apontadas como lideranças criminosas e integrantes dessas organizações que permanecem em liberdade.

Quais presídios de Pernambuco devem receber reforço?

Segundo a apuração do Jornal do Commercio, sete unidades prisionais do estado estão previstas no planejamento. São elas:

  • Presídio de Itaquitinga II, no município de Itaquitinga, na Mata Norte;
  • Presídio de Igarassu, na Região Metropolitana do Recife;
  • Presídio Policial Penal Leonardo Moura Lago, localizado no Complexo Prisional do Curado, no Recife;
  • Presídio Rorinildo da Rocha Leão, em Palmares, na Mata Sul;
  • Penitenciária Dr. Edvaldo Gomes, em Petrolina, no Sertão;
  • Penitenciária de Tacaimbó, no Agreste;
  • Penitenciária Dr. Ênio Pessoa Guerra, em Limoeiro, também no Agreste.

A relação reúne unidades de diferentes regiões do estado e inclui estabelecimentos com realidades distintas em relação à estrutura física, à capacidade de custódia e aos desafios de segurança.

Novos equipamentos devem reforçar a fiscalização

O projeto Padrão Segurança Máxima prevê investimentos em tecnologia e estrutura para ampliar a capacidade de fiscalização dos presídios contemplados. Entre os equipamentos adquiridos pelo Governo Federal estão aparelhos de raio-X e scanners corporais, destinados a reforçar as inspeções e dificultar a entrada de objetos proibidos nas unidades.

O planejamento nacional prevê a distribuição de 276 equipamentos de raio-X e 138 scanners corporais para os 138 estabelecimentos selecionados. Também estão previstas ações de capacitação dos profissionais e o fortalecimento da inteligência penitenciária.

As medidas têm como um dos principais objetivos dificultar o uso de celulares e outros meios de comunicação para a transmissão de ordens criminosas de dentro das prisões. A estratégia busca reduzir a possibilidade de articulação de homicídios, tráfico de drogas, circulação ilegal de armas e disputas territoriais a partir das unidades prisionais.

Presídio de Igarassu enfrenta desafios estruturais

Entre os estabelecimentos pernambucanos citados, o Presídio de Igarassu enfrenta problemas relacionados à superlotação e às condições de funcionamento.

Conforme dados de uma inspeção da Defensoria Pública de Pernambuco, divulgados pelo Jornal do Commercio, a unidade registrou 6.127 pessoas custodiadas no primeiro semestre de 2026, apesar de contar com capacidade oficial para 1.226 vagas. A taxa de ocupação informada foi de aproximadamente 499,8%.

O cenário evidencia os desafios estruturais do sistema prisional pernambucano. Embora o reforço tecnológico possa contribuir para melhorar a fiscalização e o controle interno, questões como superlotação, infraestrutura e disponibilidade de profissionais também representam obstáculos para a gestão das unidades.

Medida faz parte de estratégia nacional

O projeto Padrão Segurança Máxima integra o programa Brasil Contra o Crime Organizado e busca fortalecer o controle penitenciário em estabelecimentos considerados estratégicos para o enfrentamento das facções criminosas.

A proposta prevê a modernização das unidades e o aprimoramento dos mecanismos de segurança, com implementação gradual dos recursos e procedimentos previstos.

A inclusão no projeto não significa, por si só, que os estabelecimentos estaduais serão convertidos em presídios federais. A iniciativa tem como foco elevar o nível de segurança das unidades contempladas, ampliar a fiscalização e dificultar que organizações criminosas utilizem o sistema prisional para coordenar atividades ilícitas.

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