Pernambuco lidera ranking da seca no Nordeste com 91% do território afetado

20 de agosto de 2026 Sociedade
Redação Tu Visse por Redação Tu Visse

A seca avançou em Pernambuco e passou a atingir 91% do território estadual, segundo a atualização mais recente do Monitor de Secas, da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA). O levantamento, divulgado em 19 de agosto, considera os dados referentes a julho de 2026.

Em junho, a área afetada correspondia a 81% do estado. Em apenas um mês, portanto, houve um aumento de dez pontos percentuais.

O índice coloca Pernambuco na liderança entre os nove estados do Nordeste. A Bahia aparece logo atrás, com 90% do território atingido. Na sequência estão Piauí, com 88%, e Paraíba, com 85%. O Ceará apresentou o menor percentual da região, com 30% do território sob influência da seca.

Seca moderada avança

Além da expansão territorial, o fenômeno também ficou mais intenso em Pernambuco. A área classificada como seca moderada passou de 69% para 77% do território estadual entre junho e julho.

De acordo com a ANA, essa foi a condição de seca mais severa registrada entre os estados nordestinos no período. Bahia, Paraíba e Alagoas também apresentaram piora na situação.

No Nordeste, a Bahia registrou seca em 90% do território, enquanto a Paraíba chegou a 85%. O Piauí teve 88%, o Rio Grande do Norte, 79%, e Alagoas, 66%. Sergipe apresentou um dos maiores avanços proporcionais, passando de 12% para 49%. JJC

Situação de emergência em 75 municípios

O agravamento da estiagem ocorre em meio a uma situação de emergência já reconhecida pelo Governo de Pernambuco. Em 30 de junho, o Estado decretou emergência em 75 municípios, principalmente no Sertão e no Agreste, em razão dos impactos da estiagem e da redução da disponibilidade hídrica.

O decreto tem validade de 180 dias e reconhece os efeitos da seca hidrológica sobre os reservatórios administrados pela Companhia Pernambucana de Saneamento (Compesa). 

Reservatórios preocupam

O cenário dos mananciais também chama atenção. Segundo boletim da Agência Pernambucana de Águas e Clima (Apac), divulgado em 19 de agosto, a Barragem de Jucazinho, em Surubim, operava com apenas 3,88% da capacidade total, nível classificado como situação de colapso pelos critérios da agência.

Ao todo, o boletim apontava 22 reservatórios em situação de colapso, distribuídos por seis das 12 bacias hidrográficas monitoradas em Pernambuco. Cinco reservatórios estavam com volume zerado.

Seca avança em boa parte do Brasil

O quadro de Pernambuco faz parte de um cenário mais amplo de expansão da seca no país. Segundo a ANA, entre junho e julho, a área brasileira afetada pelo fenômeno aumentou de 3,79 milhões para 4,43 milhões de quilômetros quadrados, equivalente a 52% do território nacional.

No mesmo período, 17 estados registraram aumento da área atingida pela seca. Nas regiões Nordeste, Norte, Centro-Oeste e Sudeste, o fenômeno se intensificou ou avançou, enquanto houve redução no Sul.

O Monitor de Secas acompanha continuamente a distribuição e a intensidade do fenômeno no Brasil e utiliza indicadores relacionados à falta de precipitação e aos impactos de curto e longo prazo para classificar a severidade da seca.

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