Estudante atacado por cães em campus da UFRPE será indenizado em R$ 10 mil

16 de setembro de 2026 Sociedade
Redação Tu Visse por Redação Tu Visse

A Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) foi condenada a pagar R$ 10 mil por danos morais a um estudante que foi atacado por cães dentro da Unidade Acadêmica de Serra Talhada (UAST), no Sertão de Pernambuco. O caso aconteceu em dezembro de 2025.

O estudante, identificado como Diogo Anjos dos Santos, cursa Letras e residia na moradia estudantil da universidade. Após o ataque, ele precisou ser levado ao Hospital Professor Agamenon Magalhães (Hospam), onde recebeu atendimento médico e iniciou o protocolo de vacinação antirrábica. Documentos médicos, fotografias dos ferimentos e imagens do ataque foram apresentados no processo.

Na decisão, o juiz federal Ângelo Cavalcanti Alves de Miranda Neto, da 18ª Vara Federal de Pernambuco, considerou que a universidade tinha um dever especial de proteção em relação ao estudante, especialmente porque ele morava dentro do campus.

Justiça aponta histórico de cães no campus

Um dos pontos considerados pela Justiça foi o histórico de presença de cães na unidade. Conforme documentos analisados no processo, a UFRPE tinha conhecimento do problema há anos. Registros citados na decisão apontavam a existência de animais considerados ariscos e relatos anteriores de agressões contra integrantes da comunidade acadêmica. 

A universidade argumentou que havia adotado medidas como castrações, campanhas educativas e parcerias para lidar com a presença dos animais. Também alegou que a área onde ocorreu o ataque é aberta e próxima a rodovias, o que dificultaria o controle da entrada de cães abandonados.

Para a Justiça, porém, as providências adotadas não foram suficientes para eliminar o risco. A decisão considerou que, diante do histórico conhecido pela instituição, o episódio não poderia ser tratado como um acontecimento imprevisível.

UFRPE tentou reduzir valor da indenização

Após a condenação, a UFRPE recorreu e pediu a redução da indenização de R$ 10 mil para R$ 1 mil. O recurso, entretanto, não alterou o valor estabelecido na decisão.

A condenação considera os danos físicos e emocionais provocados pelo ataque, além do tratamento médico e da necessidade de vacinação contra a raiva.

O caso também reacende a discussão sobre a presença de animais errantes na área da UAST e as medidas necessárias para garantir a segurança de estudantes, servidores e demais pessoas que circulam pelo campus. 

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