Pernambuco enfrenta o agravamento da estiagem, com 106 dos 184 municípios do estado em situação de emergência devido à falta prolongada de chuvas. O número representa mais da metade das cidades pernambucanas e supera em 31 municípios o total registrado no decreto estadual publicado em junho de 2026.
De acordo com informações da Defesa Civil de Pernambuco, os prejuízos provocados pela seca chegam a aproximadamente R$ 1,24 bilhão, atingindo principalmente os setores da agricultura e da pecuária. Os impactos reforçam a preocupação com a produção rural e com as condições enfrentadas pelas populações das áreas mais afetadas.
Além da escassez de chuvas, as temperaturas elevadas contribuem para intensificar os efeitos da estiagem. Segundo informações da Agência Pernambucana de Águas e Clima (Apac), a temperatura média registrada no estado está cerca de 3°C acima do padrão esperado para esta época do ano.
Enquanto a média costuma ficar em torno de 29°C, os termômetros têm alcançado aproximadamente 32°C. A previsão é de que o calor continue intenso nos próximos meses, especialmente durante o verão, período em que as temperaturas podem atingir níveis ainda mais elevados.
O cenário exige atenção principalmente no Sertão e em parte do Agreste, regiões que podem enfrentar agravamento da seca, redução dos níveis dos reservatórios e dificuldades relacionadas à disponibilidade de água.
Outro fator de preocupação é a baixa umidade relativa do ar. Conforme previsão divulgada pela Apac para esta quarta-feira (28), os índices podem ficar abaixo de 20% no Agreste e chegar a menos de 15% no Sertão pernambucano.
Esses níveis indicam condições de ar muito seco e aumentam a necessidade de cuidados com a saúde, sobretudo durante os horários mais quentes do dia.
Entre as recomendações para períodos de baixa umidade estão beber água regularmente, evitar atividades físicas ao ar livre entre 10h e 17h e manter os ambientes umidificados sempre que possível. Para índices inferiores a 12%, a atenção deve ser redobrada.
Diante do avanço da estiagem, a Defesa Civil estadual mantém o monitoramento da situação e presta apoio técnico às coordenadorias municipais de proteção e defesa civil nos procedimentos para reconhecimento federal da emergência.
Esse reconhecimento pode permitir que as prefeituras habilitadas solicitem recursos federais destinados a ações de resposta e assistência à população, conforme as regras e a análise dos pedidos pelos órgãos responsáveis.
A ampliação do número de municípios afetados evidencia a dimensão do problema em Pernambuco. Com perdas econômicas bilionárias, temperaturas acima da média e previsão de continuidade do calor intenso, a seca permanece como um dos principais desafios para o abastecimento de água e as atividades produtivas no estado.