Sete unidades prisionais de Pernambuco devem receber reforço nos mecanismos de segurança como parte de uma iniciativa do Governo Federal voltada ao enfrentamento das organizações criminosas. A medida integra o projeto Padrão Segurança Máxima (PSM), que prevê o uso de novas tecnologias, o aprimoramento dos procedimentos de fiscalização e a capacitação de policiais penais.
De acordo com informações publicadas pelo Jornal do Commercio, os presídios pernambucanos estão entre os 138 estabelecimentos selecionados em todo o país. O levantamento nacional identificou unidades consideradas estratégicas por concentrarem lideranças de organizações criminosas, incluindo integrantes de grupos como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV).
A iniciativa, coordenada pela Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen), busca ampliar o controle dentro das unidades prisionais e dificultar a comunicação entre pessoas presas apontadas como lideranças criminosas e integrantes dessas organizações que permanecem em liberdade.
Segundo a apuração do Jornal do Commercio, sete unidades prisionais do estado estão previstas no planejamento. São elas:
A relação reúne unidades de diferentes regiões do estado e inclui estabelecimentos com realidades distintas em relação à estrutura física, à capacidade de custódia e aos desafios de segurança.
O projeto Padrão Segurança Máxima prevê investimentos em tecnologia e estrutura para ampliar a capacidade de fiscalização dos presídios contemplados. Entre os equipamentos adquiridos pelo Governo Federal estão aparelhos de raio-X e scanners corporais, destinados a reforçar as inspeções e dificultar a entrada de objetos proibidos nas unidades.
O planejamento nacional prevê a distribuição de 276 equipamentos de raio-X e 138 scanners corporais para os 138 estabelecimentos selecionados. Também estão previstas ações de capacitação dos profissionais e o fortalecimento da inteligência penitenciária.
As medidas têm como um dos principais objetivos dificultar o uso de celulares e outros meios de comunicação para a transmissão de ordens criminosas de dentro das prisões. A estratégia busca reduzir a possibilidade de articulação de homicídios, tráfico de drogas, circulação ilegal de armas e disputas territoriais a partir das unidades prisionais.
Entre os estabelecimentos pernambucanos citados, o Presídio de Igarassu enfrenta problemas relacionados à superlotação e às condições de funcionamento.
Conforme dados de uma inspeção da Defensoria Pública de Pernambuco, divulgados pelo Jornal do Commercio, a unidade registrou 6.127 pessoas custodiadas no primeiro semestre de 2026, apesar de contar com capacidade oficial para 1.226 vagas. A taxa de ocupação informada foi de aproximadamente 499,8%.
O cenário evidencia os desafios estruturais do sistema prisional pernambucano. Embora o reforço tecnológico possa contribuir para melhorar a fiscalização e o controle interno, questões como superlotação, infraestrutura e disponibilidade de profissionais também representam obstáculos para a gestão das unidades.
O projeto Padrão Segurança Máxima integra o programa Brasil Contra o Crime Organizado e busca fortalecer o controle penitenciário em estabelecimentos considerados estratégicos para o enfrentamento das facções criminosas.
A proposta prevê a modernização das unidades e o aprimoramento dos mecanismos de segurança, com implementação gradual dos recursos e procedimentos previstos.
A inclusão no projeto não significa, por si só, que os estabelecimentos estaduais serão convertidos em presídios federais. A iniciativa tem como foco elevar o nível de segurança das unidades contempladas, ampliar a fiscalização e dificultar que organizações criminosas utilizem o sistema prisional para coordenar atividades ilícitas.