Ministério da Saúde alerta para possível alta da dengue no período 2026/2027 devido ao El Niño

17 de setembro de 2026 Sociedade
Redação Tu Visse por Redação Tu Visse

O Ministério da Saúde alertou estados e municípios para a possibilidade de aumento da transmissão de arboviroses, como dengue e chikungunya, a partir do segundo semestre de 2026, em um cenário associado à atuação do fenômeno El Niño.

Segundo a pasta, projeções climáticas indicam que o fenômeno pode favorecer condições para a proliferação do mosquito Aedes aegypti, vetor da dengue. Entre os fatores estão a elevação das temperaturas, alterações no regime de chuvas e períodos de seca, que podem estimular o armazenamento de água e a formação de criadouros.

Em nota informativa publicada em julho, o Ministério da Saúde alertou para a possibilidade de aumento dos casos de arboviroses no Brasil durante o período 2026/2027 e recomendou que gestores locais reforcem as medidas de vigilância e controle do mosquito. A pasta também aponta a possibilidade de agravamento do cenário nos primeiros meses de 2027.

O alerta ocorre apesar da redução dos casos de dengue registrada no país em 2026. Até 20 de junho, foram contabilizados 392,8 mil casos, número 73% menor que o registrado no mesmo período de 2025. As notificações de chikungunya também apresentaram queda de 46%, segundo o Ministério da Saúde.

Projeção para 2027

De acordo com projeções desenvolvidas pelo InfoDengue/Fiocruz citadas pelo Ministério da Saúde, o Brasil poderá registrar cerca de 1,7 milhão de casos de dengue em 2027. A estimativa, no entanto, é baseada em cenários climáticos e epidemiológicos e pode ser revisada à medida que novas informações sejam incorporadas aos modelos.

O Inmet também acompanha a evolução do El Niño. O instituto informou que as condições do fenômeno já estavam presentes em junho e que havia previsão de intensificação ao longo do segundo semestre de 2026, com possibilidade de persistência até o verão de 2026/2027. 

As projeções climáticas indicam ainda diferenças regionais nos efeitos do fenômeno. O Inmet aponta tendência de redução das chuvas em áreas do Norte e do Nordeste e de aumento das precipitações na Região Sul, embora os impactos possam variar conforme a intensidade e a evolução do El Niño. 

Vigilância e prevenção

Diante do cenário projetado, o Ministério da Saúde orienta estados e municípios a intensificarem a vigilância epidemiológica e o controle do Aedes aegypti. Entre as medidas recomendadas estão o bloqueio da transmissão diante dos primeiros casos, a reorganização das atividades dos agentes de combate às endemias e o uso das tecnologias de controle vetorial previstas pelo governo federal.

A população também é orientada a eliminar recipientes que possam acumular água e servir de criadouro para o mosquito, além de procurar atendimento de saúde diante do surgimento de sintomas compatíveis com arboviroses.

O Ministério da Saúde afirma que continuará monitorando a evolução do cenário e poderá atualizar os alertas conforme novas informações epidemiológicas e climáticas estejam disponíveis.

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