Tanajura chega a custar R$ 300 e vira hambúrguer, pizza e petisco no Agreste de Pernambuco

07 de março de 2026 Cultura
Fabiano Santos por Fabiano Santos

O quilo da tanajura, inseto tradicionalmente consumido no interior de Pernambuco, está sendo vendido por até R$ 300 no Agreste do estado. A iguaria, que aparece apenas em períodos específicos do ano, tem sido comercializada em diferentes formatos e até virou ingrediente de pratos como hambúrguer e pizza.

Em Altinho, no Agreste, um bar chamou atenção após recolher 114 kg do inseto durante o período de aparição. No local, a tanajura é servida tanto na forma tradicional quanto em receitas menos comuns, como hambúrguer e pizza.

O alimento ganhou valor elevado justamente por surgir apenas em determinadas épocas do ano. No Parque 18 de Maio, em Caruaru, no Agreste, 1 kg de tanajura está sendo comercializado entre R$ 250 e R$ 300.

Nas redes sociais, vendedores da cidade também anunciam o produto em recipientes de diferentes tamanhos. Garrafas de dois litros têm sido vendidas por cerca de R$ 120, enquanto recipientes menores, de 500 mililitros, custam entre R$ 50 e R$ 60.

Em Altinho, o bar que recolheu mais de 100 kg dos insetos, tem utilizado a iguaria em diferentes receitas. Além da tradicional tanajura frita acompanhada de farofa ou vinagrete, o estabelecimento passou a oferecer pratos como hambúrguer e pizza feitos com o inseto, algo ainda pouco comum mesmo em regiões onde o consumo é tradicional.

O dono do local, Givanilson da Silva, conta que ele, familiares e amigos coletam as tanajuras nas ruas durante o período em que elas aparecem. Depois da coleta, o alimento é separado em porções e congelado para ser vendido ao longo do ano.

A gente vende no boteco o ano todo. No primeiro mês vendemos um pouco para quem quer levar garrafa e o restante fica para os petiscos”, afirmou.

Segundo ele, os pratos mais procurados no bar são o hambúrguer de tanajura e a porção frita acompanhada de farinha e vinagrete. No estabelecimento, o hambúrguer custa R$ 25 e a pizza é vendida por R$ 75. Já uma garrafa de um litro com o inseto chega a ser comercializada por R$ 150.

Por que as tanajuras “caem”?

No interior do estado, é comum ouvir a expressão de que está “caindo” tanajura quando os insetos aparecem nas ruas ou em áreas rurais. Na prática, o fenômeno ocorre quando elas saem dos formigueiros.

As tanajuras, também chamadas de formigas-rainhas das saúvas, costumam sair dos formigueiros nessa época do ano para se reproduzir.

Segundo biólogos ouvidos pelo g1, o fenômeno está ligado ao período reprodutivo das formigas e costuma ocorrer após chuvas e ventos fortes. Nessas condições, as tanajuras saem dos formigueiros para realizar o chamado voo nupcial, etapa fundamental para a formação de novas colônias.

O biólogo Alexandre Nunes explica que a tanajura é a fêmea da formiga. Durante o voo, ela é fecundada pelo macho, conhecido popularmente como “sibito”. Depois disso, pousa no solo, perde as asas e procura um local adequado para cavar e iniciar um novo formigueiro.

“Com as chuvas, o solo fica mais fofo e facilita a escavação. No abdômen da tanajura existem milhares de ovos que darão origem a um novo formigueiro”, explicou o biólogo.

Ele também afirmou que o consumo do inseto é seguro e que a Organização das Nações Unidas recomenda a ingestão de insetos como fonte de proteína.

Valor nutricional

Além do valor cultural, a tanajura também tem destaque nutricional. A nutricionista Nathiane Magalhães explica que o alimento é rico em proteínas e gorduras.

De acordo com ela, 100 gramas do inseto possuem entre 430 e 480 calorias, cerca de 35 a 42 gramas de proteína e entre 30 e 35 gramas de gordura.

Apesar de nutritiva, a especialista recomenda atenção ao consumo excessivo.

“A grande questão são as combinações. Muitas pessoas comem com farinha, o que aumenta bastante o teor calórico da refeição. Também é importante observar a forma de preparo, que às vezes leva manteiga ou margarina”, afirmou.

A nutricionista destaca que o consumo pode ser considerado seguro por se tratar de um alimento sazonal, mas alerta que pessoas com alergia a crustáceos devem ter cuidado. Segundo ela, as proteínas presentes nos insetos podem ser semelhantes e provocar reações em pessoas sensíveis.

No interior de Pernambuco, o consumo da tanajura é uma tradição transmitida entre gerações. Em muitas casas, o preparo mais comum é fritar o inseto e servi-lo com farinha, em uma receita simples bastante conhecida na região.

*Do G1

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