Prefeitos de Pernambuco definem teto de R$ 350 mil para cachês de artistas em eventos públicos

18 de março de 2026 Sociedade
Fabiano Santos por Fabiano Santos

Prefeitos de municípios de Pernambuco decidiram, durante assembleia da Associação Municipalista de Pernambuco (Amupe), nesta terça-feira (17), estabelecer um teto de R$ 350 mil para o pagamento de cachês artísticos em eventos realizados pelas cidades, como Carnaval e São João.

A medida foi construída com base em uma pesquisa realizada pela entidade, que contou com a participação de 81% dos municípios do estado.

Entre as 149 cidades que responderam ao levantamento, 96% defenderam a necessidade de padronização dos valores pagos a artistas.

Os dados apontaram que os valores mais citados variavam entre R$ 300 mil e R$ 400 mil, o que levou à definição do teto de R$ 350 mil como um ponto de equilíbrio. Segundo a Amupe, o limite funcionará como orientação para os gestores.

Debate dos prefeitos

Durante a assembleia, o então presidente da Amupe e prefeito de Aliança, Pedro Freitas (PP), destacou que a decisão busca contemplar a maioria dos municípios.

“Se você trabalha esse teto entre 300 e 400 mil, você está contemplando a grande maioria dos prefeitos que participaram da pesquisa. Apenas 5% citaram o teto de 500 mil”, afirmou.

Pedro também pontuou a necessidade de respeitar contratos já firmados. Segundo ele, acordos previamente assinados ou em fase avançada de negociação não devem ser impactados pela nova orientação.

O debate também evidenciou a preocupação dos gestores com a alta nos valores cobrados por artistas nos últimos anos. O prefeito de Cabrobó, Galego de Nanai (Avante), afirmou que os próprios municípios contribuem para a inflação dos cachês.

“Quando nós criamos um limitador de preço, nós forçamos que essas bandas baixem o preço. Se fizer um histórico de crescimento do preço de cachê nos últimos três anos, há três anos atrás, uma banda que eu contratei a 200 mil, hoje custa 700 mil reais. Não tem nenhum índice de correção que justifique um aumento com o preço desse”, disse.

Apesar do consenso em torno do teto, alguns gestores defenderam a necessidade de flexibilização em casos específicos. O prefeito de Camaragibe, Diego Cabral (Republicanos), ressaltou que eventos tradicionais devem ser tratados como exceção.

“É importante, na formalização, destacar algumas exceções. Por exemplo: o São João do Caruaru, que é uma festa tradicional, é uma festa que se a gente for mexer no cachê, nós vamos tirar a cultura do estado de Pernambuco. (…) Eu acho que devemos tratar essas exceções na formalização, para que municípios, depois que contratarem, não sejam penalizados pelos demais”, pontuou.

Caráter orientativo

O Ministério Público de Pernambuco (MPPE), que acompanhou a discussão junto ao Tribunal de Contas do Estado (TCE-PE), destacou que o teto terá caráter orientativo. Um representante do MPPE explicou que a medida faz parte de um processo gradual.

“Nas negociações avançadas, estamos no processo de construção coletiva. Esse é o primeiro passo. E, possivelmente, mais a frente, nós falaremos de alguns ajustes derivados da prática”, afirmou.

Ao final da assembleia, a proposta do teto foi aprovada por consenso como orientação para os municípios. A Amupe informou que deve divulgar, nos próximos dias, uma nota técnica conjunta com o TCE-PE e o MPPE com diretrizes mais detalhadas sobre a aplicação da medida.

Após a reunião, também foi realizada a cerimônia de posse da nova presidência da entidade, com a transferência do cargo do ex-prefeito de Paudalho, Marcelo Gouveia (Podemos), para Pedro Freitas.

Gostou? Compartilhe esse Conteúdo.

Fale Conosco pelo WhatsApp
Fale Conosco pelo WhatsApp
Ir para o Topo do Site