Policial acusado de matar mulher de 34 anos é expulso da PM de Pernambuco

10 de junho de 2026 Policial
Redação Tu Visse por Redação Tu Visse

O policial militar Leonardo Vieira Gomes foi expulso da Polícia Militar de Pernambuco (PMPE) após a conclusão de um Processo Administrativo Disciplinar Militar que apurou sua participação na morte da comerciante e estudante de gastronomia Amanda Carolina Pacheco Pereira, de 34 anos. A decisão foi publicada no Diário Oficial do Estado desta terça-feira (9) e assinada pelo secretário de Defesa Social, Alessandro Carvalho.

Segundo a portaria, a Corregedoria Geral da Secretaria de Defesa Social concluiu que há provas suficientes de que o então terceiro-sargento efetuou um disparo de arma de fogo que resultou na morte da vítima, em abril de 2025, no bairro de Piedade, em Jaboatão dos Guararapes, no Grande Recife.

O documento destaca que, além da morte de Amanda, a investigação administrativa apontou que o militar deixou o local sem prestar socorro e alterou a cena do crime para tentar simular um suicídio. De acordo com a decisão, Leonardo posicionou a própria pistola na mão da vítima com o objetivo de induzir peritos e autoridades policiais ao erro.

Para a SDS, a conduta configura fraude processual e representa uma grave violação dos deveres inerentes à função policial. A portaria afirma que as atitudes são incompatíveis com a atividade militar e demonstram desrespeito aos princípios éticos, ao dever de proteção à vida e à dignidade humana.

A decisão administrativa também ressalta que o processo respeitou o contraditório e a ampla defesa, sem registro de irregularidades. Com base nos relatórios da Corregedoria e pareceres técnicos produzidos durante a apuração, a Secretaria concluiu que Leonardo Vieira Gomes não possui condições de permanecer nos quadros da corporação.

Por isso, foi aplicada a penalidade de exclusão a bem da disciplina, considerada a mais grave prevista para militares estaduais. A portaria aponta que a conduta do policial afetou a honra pessoal, o pundonor policial-militar e o decoro da classe, além de violar dispositivos do Estatuto dos Militares de Pernambuco e do Regulamento de Ética Profissional da categoria.

Caso ocorreu em 2025

Amanda Carolina Pacheco Pereira foi morta na madrugada de 12 de abril de 2025. Na ocasião, ela e Leonardo Vieira Gomes estavam na residência da madrinha da vítima, em Piedade. Segundo relatos colhidos durante as investigações, os dois consumiam bebidas alcoólicas e conversavam normalmente antes do disparo.

A madrinha de Amanda informou ter acordado após ouvir um tiro. Ao chegar ao cômodo, encontrou a afilhada caída e ferida por arma de fogo. Leonardo já havia deixado o local.

Pouco tempo depois, o policial se apresentou na Delegacia de Prazeres, onde foi preso em flagrante. Apesar da prisão, ele foi colocado em liberdade após audiência de custódia realizada no mesmo dia.

Na decisão judicial que concedeu liberdade provisória, o Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) considerou que não havia elementos concretos que indicassem risco à instrução processual ou possibilidade de fuga, destacando que o acusado possuía residência fixa e era policial militar da ativa. Foram impostas medidas cautelares, como comparecimento periódico à Justiça e proibição de mudança de endereço sem autorização.

À época, o Ministério Público também se manifestou pela liberdade provisória ao apontar que o investigado não possuía antecedentes criminais e que ainda existiam dúvidas sobre a dinâmica da morte. Com o avanço das investigações e o oferecimento da denúncia, foi apresentado novo pedido de prisão.

Além da responsabilização administrativa, Leonardo Vieira Gomes responde criminalmente pelos crimes de feminicídio e fraude processual. As acusações estão relacionadas tanto à morte de Amanda quanto à suposta tentativa de manipular a cena do crime. Até o momento, não há data definida para o julgamento do caso pela Justiça.

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