O Governo de Pernambuco iniciou, nesta quinta-feira (31), um curso de especialização voltado ao cuidado de pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA). A formação é oferecida pela Secretaria Estadual de Saúde (SES-PE), em parceria com a Universidade de Pernambuco (UPE), e integra o programa Pernambuco Acessível, voltado às políticas públicas para pessoas com deficiência.
A aula inaugural foi realizada no auditório da SES-PE, no bairro do Bongi, e as aulas regulares acontecerão presencialmente no Campus Santo Amaro da UPE, no Recife. Com investimento de R$ 1,5 milhão, o curso “Especialização em Atenção Multiprofissional em Transtornos do Neurodesenvolvimento com ênfase no Autismo” vai capacitar até 200 profissionais de saúde de diversos municípios.
A formação tem carga horária de 360 horas, duração de 12 meses e ocorrerá de forma quinzenal. O objetivo é fortalecer o cuidado multiprofissional a crianças, adolescentes e adultos com diagnóstico ou suspeita de TEA, unindo teoria atualizada e prática clínica.
Cada uma das quatro turmas contará com 50 alunos, sendo uma vaga destinada a cada município. A primeira turma já foi iniciada com alunos de 49 cidades e do distrito de Fernando de Noronha. As inscrições para a segunda turma estão previstas para setembro.
“Esse curso nasce de uma necessidade real da rede de saúde e vai ajudar a formar profissionais, especialmente fora da capital, onde há escassez”, afirmou Zilda Cavalcanti, secretária de Saúde de Pernambuco.
De acordo com Kellyane Santos, diretora de Educação na Saúde da SES-PE, a criação do curso responde ao aumento do número de diagnósticos relacionados a transtornos do neurodesenvolvimento e à crescente demanda por serviços de saúde mental.
“Entendemos que a formação dos profissionais da linha de frente é essencial para garantir um cuidado especializado, alinhado aos princípios do SUS”, disse.
A formação é direcionada a profissionais já atuantes nos serviços municipais de saúde. A psicóloga Ana Cláudia Brayne, de Pesqueira, é uma das alunas da primeira turma.
“O curso agrega na avaliação e no diagnóstico. A vivência da especialização é diferente da leitura de livros. Quero entender melhor como a psicologia pode contribuir com a qualidade de vida dos pacientes e das famílias”, relatou.
Durante a cerimônia de abertura, a secretária de Ciência, Tecnologia e Inovação de Pernambuco, Mauricélia Vidal, destacou a integração do curso com outras iniciativas recentes, como a criação do Instituto Pernambucano de Ciência, Tecnologia e Inovação (IPECT), voltado à neurodiversidade.
“Estou muito feliz com esse passo dentro do SUS. Precisamos de profissionais habilitados para dar suporte às famílias que enfrentam esses desafios diariamente”, afirmou.
A iniciativa reforça o compromisso do estado com a formação contínua de profissionais da saúde e com a ampliação da rede de cuidado às pessoas com autismo em todas as regiões de Pernambuco.