Vereadores Roberval Gomes e Roberto da Sorveteria criticam desvalorização salarial, "manobra" em projetos de lei e apontam disparidade em comparação ao município de Jupi.
Os vereadores da bancada de oposição, Roberval Gomes e Roberto da Sorveteria, posicionaram-se contrários a dois projetos de lei enviados pelo Executivo Municipal durante a sessão legislativa da última segunda-feira (01/12). As pautas envolviam o parcelamento da dívida previdenciária do município em até 25 anos e alterações no plano de cargos e salários que, segundo os parlamentares, retiram direitos históricos da categoria.
Durante a discussão, os legisladores classificaram o projeto que trata dos vencimentos como uma “covardia” e “falta de respeito”. O principal ponto de crítica foi a desvalorização em comparação a municípios vizinhos com receitas similares e a estratégia de unir o reajuste salarial ao corte de benefícios em um único texto.
Na tribuna, o Vereador Roberval destacou que o projeto de lei que trata do aumento dos servidores seria uma cópia grosseira de um projeto da cidade de Jupi. Contudo, em Jupi, os servidores em cargos equivalentes receberiam R$ 4.750,00, enquanto a proposta de Calçado fixa o valor em R$ 2.000,00.
Os vereadores alertaram que, na prática, o aumento real seria de apenas R$ 370,00, tendo em vista o reajuste do salário mínimo no início do próximo ano, gerando risco de congelamento salarial nos anos seguintes.
“Esse projeto dá com uma mão e tira com a outra. Gostaria muito de votar a favor do aumento, mas atrás tem muita covardia. Extinguir o quinquênio para novos servidores e mexer na estabilidade financeira é um absurdo”, pontuou Roberval, ressaltando que a pressão popular evitou a retirada do quinquênio dos atuais efetivos.
O vereador Roberto da Sorveteria reforçou o posicionamento, questionando a intenção do Executivo ao não separar as votações. Para o parlamentar, o prefeito tem o poder de desmembrar o texto para não prejudicar o servidor.
“Por que o Prefeito não mandou esse projeto e o do aumento separado? Para deixar a gente ou contra ou a favor do povo! É triste quando no mesmo projeto o Prefeito coloca de novo retirando essa vantagem”, disparou Roberto, citando o artigo que trata da retirada da gratificação de estabilidade financeira.
Roberto também criticou a extinção do quinquênio para os novos servidores e classificou o número de vagas do concurso anunciado, apenas 38, como uma “vergonha”. Ele questionou a justificativa de inconstitucionalidade para a retirada de direitos: “Se for opcional, e esta Casa está para ajudar, então deixa esses quinquênios”, argumentou.
Além da questão salarial, o voto contrário ao parcelamento da dívida da previdência em 25 anos marcou o posicionamento da bancada em defesa da saúde financeira futura do município e dos direitos adquiridos do funcionalismo.
Roberval finalizou com um apelo emocional: “Jamais vou votar contra o funcionário. Lembro da minha mãe, que foi merendeira desse município”.
Já Roberto encerrou sua participação cobrando coerência entre o discurso oficial e a prática da gestão: “Falar é totalmente diferente de agir”.
Nossa redação manteve contato com os parlamentares, que reforçaram suas lutas e constante trabalho no sentido de fiscalização e denúncia de atos que considerem lesivos ao interesse público. Ambos reiteraram o compromisso de manter uma postura vigilante na Câmara, assegurando que pautas sensíveis como a previdência e a valorização do funcionalismo sejam tratadas com a devida transparência e respeito aos direitos adquiridos pela população de Calçado.
Por fim, Roberval e Roberto reforçaram a necessidade da população acompanhar os trabalhos dos seus mandados, acompanhar as sessões da Câmara Municipal que são transmitidas ao vivo pela internet, todas as segundas-feiras a partir das 17 horas.