O pré-candidato ao governo de Pernambuco e presidente nacional do PSB, João Campos, voltou a criticar a gestão de Raquel Lyra (PSD), desta vez em entrevista concedida à Naza FM, na tarde desta quinta-feira (25). O ex-prefeito do Recife afirmou que o efetivo da Polícia Militar está concentrado nos bairros mais ricos da capital, enquanto o interior do estado e as periferias permanecem desassistidos.
“Novos policiais estão se formando, mas ficam concentrados principalmente nos bairros mais nobres do Recife. Existem ruas com quatro ou cinco policiais para proteger apartamentos de alto valor ou lojas luxuosas, enquanto não se coloca a polícia na zona rural, no interior ou na periferia. […] É necessário combater o bandido e proteger o trabalhador, cuidando de toda a população e não apenas de quem tem dinheiro”, afirmou.
Ainda de acordo com João Campos, a política de segurança pública em Pernambuco estaria sendo conduzida com base em critérios políticos. Como exemplo, o pré-candidato mencionou dois municípios administrados por prefeitos aliados ao PSB.
“São Lourenço da Mata e Cabo de Santo Agostinho figuram como as cidades mais violentas de Pernambuco. Em São Lourenço, a proposta apresentada pelo atual governo foi a de fechar o batalhão da cidade, apesar dos altos índices de criminalidade. Já no Cabo de Santo Agostinho, o prefeito solicitou o apoio da Força Nacional ao governo federal devido à situação crítica, mas o pedido foi negado. Não se faz política pública de segurança politizando ou ideologizando o tema; é preciso enfrentar o crime com técnica e seriedade.”
João Campos também afirmou que Pernambuco perdeu protagonismo na atração de investimentos e na execução de projetos estruturantes. Segundo ele, o estado precisa iniciar um novo ciclo de desenvolvimento econômico para voltar a competir com outras unidades da federação.
“O estado demonstra hoje uma falta de capacidade na construção de um plano de desenvolvimento e na execução de projetos estruturantes. É necessário inaugurar um novo ciclo econômico, porque o protagonismo e a atração de indústrias vistos em 2013 não se repetem na gestão atual. Pernambuco está sendo ultrapassado por estados vizinhos, como a Paraíba, na instalação de centros de distribuição e operações hoteleiras por falta de decisões estratégicas. Se não houver um governo com capacidade administrativa e tamanho político para tirar as obras do papel, os investimentos não chegarão”, disse.
O ex-prefeito do Recife voltou a mencionar o descumprimento da promessa de construção de creches pela gestão estadual e comparou com o que foi realizado durante a administração dele na Prefeitura do Recife.
“A gestão estadual assumiu o compromisso de entregar 250 creches, mas, após anos, entregou apenas cerca de cinco unidades. No Recife, construímos 107 creches em cinco anos, garantindo mais de 13 mil novas vagas. Durante três anos seguidos, a capital pernambucana foi a cidade que mais abriu vagas de creche entre os mais de cinco mil municípios do Brasil. O resultado aparece quando se trabalha com foco na entrega, em vez de apenas colocar dificuldades”, afirmou.
João Campos também direcionou críticas à saúde pública estadual. De acordo com o pré-candidato, a gestão de Raquel Lyra reduziu os investimentos na área e fechou unidades hospitalares. Ele defendeu a ampliação dos serviços de média e alta complexidade no interior do estado e o fortalecimento da telemedicina.
“A situação da saúde em Pernambuco é crítica porque o governo estadual retirou R$ 1,5 bilhão do orçamento anual da área e fechou três hospitais. No Recife, realizamos a maior expansão da saúde do país para uma prefeitura, triplicando os atendimentos anuais por meio de gestão informatizada e prontuário eletrônico. É fundamental interiorizar os serviços, aumentar a complexidade dos hospitais regionais e investir em teleconsulta, área na qual estados como o Piauí já estão muito à frente de Pernambuco. O compromisso é ampliar o atendimento na Zona da Mata e trazer novas especialidades para reduzir o deslocamento de pacientes”, concluiu.
*Da Folha de Pernambuco