Delegado da PCPE é investigado por suposto pagamento a criminosos para esposa passar em concurso

26 de março de 2026 Policial
Fabiano Santos por Fabiano Santos

Um delegado da Polícia Civil de Pernambuco é investigado por suspeita de pagar a aprovação da companheira no Concurso Nacional Unificado (CNU) de 2024. 

O crime envolve um grupo especializado em fraudes em concursos públicos e inclui pelo menos um ex-funcionário da Fundação Cesgranrio, organizadora do certame. 

Informações acessadas pela TV Globo e divulgadas no “Fantástico” de domingo (22) apontam para um esquema milionário detalhado em representação da Polícia Federal feita à Justiça Federal na Paraíba.

Lariça Saraiva Amando Alencar, esposa do delegado Diogo Gonçalves Bem, passou em primeiro lugar no cargo de auditora fiscal do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), no CNU.

A suposta participação do casal no esquema partiu da delação premiada de Thyago José de Andrade, apontado como chefe do grupo criminoso, e da companheira dele, Lais Giselly Nunes de Araújo.

No documento da PF, Lais Giselly teria informado que a esposa de um delegado, identificada como Lariça, fraudou o concurso do CNU e foi aprovada em primeiro lugar. Os relatores não informaram como ocorreu o repasse de respostas à mulher.

Após menção, a polícia teria verificado as notas obtidas por Lariça no CNU e identificado discrepância nos resultados da primeira e segunda fases do certame.

Segundo informações do g1, que acessou o documento, na primeira fase, Lariça teve a melhor nota nas provas objetiva e discursiva, já na segunda, as notas foram “relativamente baixas”.

As investigações iniciadas após denúncia anônima apontam que o grupo criminoso utilizava pontos eletrônicos para informar respostas, fotos de cadernos de questões e acesso antecipado ao gabarito.

Os valores cobrados pela organização suspeita variavam de acordo com os cargos pretendidos. A reportagem aponta que para funções como auditor fiscal, na qual Lariça concorreu e foi aprovada, o valor chegava a R$ 500 mil.

Os documentos da PF apontam que o esquema envolve um ex-policial militar da Paraíba que teria sido, juntamente com dois parentes, aprovado no CNU 2024.

Áudios encontrados em um celular com participantes do grupo destacam a necessidade de subornar vigilantes, desligar câmeras e pagar pessoas para fazer a prova no lugar do candidato.

O documento também destaca o nome de Waldir Luiz de Araújo Gomes, ex-funcionário da Cesgranrio, organizadora do CNU, e que foi aprovado no Tribunal Regional da Paraíba. Waldir teria conseguido acesso antecipado às provas e explicava como violar os envelopes.

Por nota, a PCPE informou que não se pronuncia sobre investigações realizadas por outros órgãos.

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