sábado, 08 de jun de 2024
A rotina de pescadores da Vila São Miguel, no bairro de Afogados, Zona Oeste do Recife, foi interrompida na manhã de 31 de maio. No rio onde encontram, diariamente, o sustento para a família, eles acharam o corpo de uma mulher aparentando 20 anos. Logo após o resgate, e com a identificação de marcas de tiro, descobriram que se tratava de uma vizinha, usuária de drogas, que estava desaparecida havia três dias.
O caso se soma a tantos outros em que as vítimas perdem a vida por envolvimento com as drogas. “Posso afirmar, com certeza, que pelo menos 70% dos homicídios em Pernambuco tem alguma ligação com as drogas. São pessoas que têm dívidas ou que fazem parte de grupos criminosos especializados na venda dos entorpecentes e que entram em guerra pela disputa de territórios”, afirmou o secretário de Defesa Social, Alessandro Carvalho.
Levantamento da Secretaria Estadual de Planejamento, Gestão e Desenvolvimento Regional (Seplag) traçou as principais motivações das mortes ocorridas entre janeiro e março deste ano. Das 988 vítimas, 732 (ou seja, 74%) tinham alguma ligação com atividades criminais – sobretudo com as drogas.
Em segundo lugar, com 147 casos (15%), a violência interpessoal aparece como motivação dos homicídios. Em geral, ocorrem entre membros da mesma família, amigos ou vizinhos. Em terceiro, com 27 casos (3%), o excludente de ilicitude, quando o agente de segurança mata por legítima defesa.
O estudo ainda destaca que 47% das vítimas de homicídio têm entre 18 e 30 anos. Além disso, 6% têm entre 12 e 17 anos. Tratam-se de faixas etárias que merecem mais atenção do poder público, porque, sem estudo e sem emprego, acabam cooptadas por organizações criminosas especializadas no tráfico de drogas e em homicídios – com a promessa de que vão melhorar de vida.