Após resultado do 1º turno, institutos de pesquisa ficam na mira do Congresso

  04 de outubro de 2022
Fabiano Santos por Fabiano Santos

As pesquisas eleitorais foram alvo de ataques nas redes sociais durante a apuração do primeiro turno das eleições, no domingo. Acusações de “manipulação” e de que os institutos estão “desmoralizados” foram disseminadas nas plataformas por causa da discrepância entre o que as consultas apresentaram e o que a urna mostrou. Os mais criticados foram Datafolha e Ipec.

No sábado, na intenção de voto estimulada feita pelo Ipec, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparecia com 51% dos votos, e o atual chefe do Executivo, Jair Bolsonaro (PL), com 37%. No Datafolha, do mesmo dia, os registros foram de 50% a 36%, respectivamente.

A apuração de domingo, no entanto, mostrou uma votação apertada, com vitória de Lula com 48,4% dos votos, ante 43,2% de Bolsonaro. Houve desencontros, também, em números das disputas estaduais, o que reforçou o tom crítico aos institutos.

Em nota, o Ipec ressaltou que as pesquisas eleitorais medem a intenção de voto no momento em que são feitas e que seu objetivo é apontar tendências. “Nossa última pesquisa mostrou que não era possível afirmar se a eleição acabaria ou não no primeiro turno. Assim se confirmou. A pesquisa Ipec apontava Lula como o candidato que ficaria mais bem posicionado no primeiro turno. Isso também se confirmou”, destacou.

A respeito da divergência dos índices em relação a Bolsonaro, o instituto atribui a “uma provável migração de votos” de Simone Tebet (MDB) e Ciro Gomes (PDT) para o presidente.

Já a diretora do Datafolha, Luciana Chong, disse acreditar que eleitores decidiram seu voto de última hora, especialmente os de Ciro e Tebet, além daqueles que ainda estavam indecisos e poderiam votar em branco e nulo. “Esse movimento acabou sendo mais a favor de Bolsonaro. Por isso ele ficou no final com um resultado maior”, enfatizou, em entrevista à Globo News.

Chong também não descartou que tenha existido um antipetismo. “Quando chegou na véspera, as pesquisas mostrando que poderia ter a finalização no primeiro turno, com Lula ganhando, acredito que teve um movimento de antipetismo, de querer levar essa eleição para o segundo turno, especialmente dos eleitores de Ciro, que votaram no Bolsonaro para não ter essa vitória no primeiro turno”, avaliou.

Para Arilton Freres, diretor do Instituto Opinião, a falta de atualização de dados do Censo realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) pode ter dificultado a coleta de informações mais precisas.

“Desde 2010, não tem atualização, por exemplo, no critério de renda para a gente coletar, na distribuição geográfica dos brasileiros. É um motivo de os institutos de pesquisa terem dificuldade de montar amostras mais bem produzidas. Outro problema foi o envergonhado mesmo, do voto de última hora, da pressão das redes sociais”, argumentou.

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