Na manhã desta sexta-feira, 2 de janeiro de 2026, o vereador do Recife Eduardo Moura (Novo), recém-nomeado para um cargo na Procuradoria do município, protocolou um pedido de impeachment contra o prefeito João Campos (PSB). A ação surpreendeu muitos, uma vez que a nomeação do vereador havia sido considerada uma manobra política para fortalecer a base de apoio do prefeito.
A iniciativa tem como base a nomeação e posterior anulação da posse de um procurador do Município, ato que gerou forte repercussão negativa e questionamentos jurídicos sobre o cumprimento das regras do concurso público da Procuradoria Geral do Recife.
Segundo o Parlamentar, o Prefeito teria cometido crime de responsabilidade e infração político-administrativa ao nomear Lucas Vieira Silva como Procurador Judicial do Município, após uma reclassificação para a lista de pessoas com deficiência (PCD). O Concurso foi realizado em 2022 e homologado em junho de 2023. À época, Lucas Vieira figurava na 63ª colocação da lista geral.
De acordo com Eduardo Moura, um laudo médico apresentado em maio de 2025 solicitando a reclassificação do candidato para a condição de PCD foi negado por três procuradoras concursadas do Município. Ainda assim, a decisão teria sido revista pelo então procurador-geral do Recife, cargo comissionado indicado pelo Prefeito, que autorizou a requalificação. Três dias depois, em dezembro, o Candidato foi nomeado.
A nomeação foi anulada pela Prefeitura do Recife no dia 31 de dezembro, após intensa repercussão pública e manifestações de entidades representativas da categoria e de candidatos aprovados. Em edição extraordinária do Diário Oficial, o Executivo Recifense tornou sem efeito o ato e, em seguida, nomeou Marko Venício dos Santos Batista, candidato originalmente classificado para a vaga destinada a PCDs.
O caso ganhou maior visibilidade após a divulgação de que o candidato inicialmente nomeado é filho de uma procuradora de contas do Ministério Público de Contas, órgão que atua junto ao Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco (TCE-PE) e de um juiz do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE). O Vereador sustenta que os fatos violam os princípios da legalidade, moralidade administrativa e isonomia, além de se enquadrar em dispositivos da Lei Orgânica do Município, do Decreto-Lei nº 201/1967 e da Lei de Improbidade Administrativa.
No pedido protocolado, Eduardo Moura defende que a revogação da nomeação não elimina eventuais ilegalidades já praticadas. O Parlamentar informou que a abertura do processo de impeachment depende da coleta de assinaturas de Vereadores e afirmou que já conta com apoio de parte da oposição. Dos 37 vereadores que compõem a Câmara do Recife, apenas 6 são oposicionistas.
A reação não tardou. Em nota oficial, a assessoria do prefeito João Campos classificou o pedido como “um ato político de desespero” e reafirmou a confiança na legalidade de suas ações. A nota ainda ressaltou que a gestão tem se pautado pela transparência e pelo diálogo, buscando sempre o melhor para a cidade.
Analistas políticos apontam que essa movimentação pode provocar uma série de debates acalorados na Câmara Municipal, além de gerar um clima de instabilidade no governo. O pedido de impeachment será analisado por uma comissão especial, que deverá se pronunciar nos próximos dias sobre a admissibilidade da solicitação.
Enquanto isso, a população aguarda ansiosamente por desdobramentos, refletindo sobre os impactos que essa crise política pode ter na administração da cidade e nas próximas eleições.