A Polícia Federal investiga suspeitas de interferência de uma facção criminosa no processo eleitoral de João Pessoa, na Paraíba. As apurações, reunidas na Operação Território Livre, apontaram para uma possível negociação de apoio político em comunidades controladas pelo grupo criminoso em troca de acesso a cargos e benefícios na administração municipal.
A operação foi deflagrada em setembro de 2024 e teve como foco suspeitas de aliciamento violento de eleitores, constrangimento de candidatos e interferência na livre manifestação política em áreas sob influência de uma facção. Segundo o Ministério Público da Paraíba, a investigação identificou a participação de agentes políticos, servidores públicos e integrantes do grupo criminoso.
De acordo com o MPPB, a estrutura investigada funcionaria por meio de um sistema de favorecimentos. Integrantes da facção e pessoas ligadas a eles teriam recebido indicações para cargos e benefícios na administração pública, enquanto o grupo criminoso atuaria para controlar o ambiente político em determinados territórios.
A investigação também apontou suspeitas de restrições à atuação de candidatos em comunidades. Segundo o Ministério Público, bairros como São José e Alto do Mateus estavam entre as áreas em que haveria influência criminosa sobre a manifestação política e o exercício do voto.
A Operação Território Livre teve três fases em setembro de 2024. Foram cumpridos mandados de busca e apreensão e realizadas prisões, entre elas a da então vereadora Raíssa Lacerda e, posteriormente, da primeira-dama de João Pessoa, Lauremília Lucena, e de uma assessora. As prisões e medidas cautelares ocorreram no curso das investigações e não equivalem, por si só, a condenação.
Em setembro de 2025, o Ministério Público da Paraíba informou que a Justiça Eleitoral recebeu denúncia contra dez pessoas investigadas no caso. Segundo o órgão, as acusações envolvem crimes eleitorais e outros delitos relacionados ao suposto esquema. A denúncia passou a tramitar na Justiça Eleitoral.
As investigações da Operação Território Livre também passaram a ser utilizadas em processos relacionados às eleições de 2024 e, posteriormente, em discussões sobre registros de candidaturas.
Em abril de 2026, durante julgamento no Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba, o Ministério Público Eleitoral afirmou que não havia provas suficientes para estabelecer um vínculo entre a atuação das facções e a eleição para a Prefeitura de João Pessoa. O posicionamento diferencia as suspeitas investigadas pela PF da comprovação judicial de eventual benefício eleitoral para determinada chapa.
O caso continua tendo desdobramentos na Justiça Eleitoral, e eventuais responsabilidades deverão ser definidas a partir das provas analisadas nos processos.
As informações sobre a participação de agentes públicos e políticos devem, portanto, ser tratadas como alegações e fatos sob investigação quando ainda não houver decisão judicial definitiva.