Os preços dos alimentos podem subir no Brasil e atingir o pico de alta até seis meses após os impactos climáticos provocados pelo El Niño, segundo um estudo do Rabobank.
O levantamento, baseado no comportamento do fenômeno em episódios anteriores, aponta que os produtos in natura, como carnes e hortaliças, são os mais suscetíveis à elevação de preços.
Em um cenário de El Niño forte, os alimentos in natura poderiam registrar alta de 19,9%. Já a alimentação consumida dentro de casa teria aumento estimado de 6,32%, de acordo com o modelo matemático desenvolvido pelo banco.
O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico e provoca mudanças nos padrões climáticos. No Brasil, o fenômeno pode resultar em períodos de seca em áreas produtoras e chuvas acima da média em outras regiões, afetando a produção e a oferta de alimentos.
Para chegar às estimativas, o Rabobank comparou o Índice Oceânico Niño (ONI), indicador utilizado para medir a intensidade do fenômeno, com a evolução da inflação dos alimentos consumidos nos domicílios durante os principais episódios de El Niño registrados nas últimas décadas.
Pelo critério adotado no estudo, valores do ONI acima de 0,5°C, considerando a média de três meses, indicam um El Niño moderado. Índices superiores a 1°C caracterizam um evento forte.
Dados mais recentes da Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA, na sigla em inglês) apontam 26% de probabilidade de ocorrência de um El Niño moderado, 57% de um evento forte e 16% de um episódio muito forte.
Para o fim do ano, as projeções indicam aproximadamente 80% de probabilidade de formação de um El Niño forte, cenário que pode aumentar a pressão sobre os preços dos alimentos nos meses seguintes.