Um delegado da Polícia Civil de Pernambuco é investigado por suspeita de pagar a aprovação da companheira no Concurso Nacional Unificado (CNU) de 2024.
O crime envolve um grupo especializado em fraudes em concursos públicos e inclui pelo menos um ex-funcionário da Fundação Cesgranrio, organizadora do certame.
Informações acessadas pela TV Globo e divulgadas no “Fantástico” de domingo (22) apontam para um esquema milionário detalhado em representação da Polícia Federal feita à Justiça Federal na Paraíba.
Lariça Saraiva Amando Alencar, esposa do delegado Diogo Gonçalves Bem, passou em primeiro lugar no cargo de auditora fiscal do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), no CNU.
A suposta participação do casal no esquema partiu da delação premiada de Thyago José de Andrade, apontado como chefe do grupo criminoso, e da companheira dele, Lais Giselly Nunes de Araújo.
No documento da PF, Lais Giselly teria informado que a esposa de um delegado, identificada como Lariça, fraudou o concurso do CNU e foi aprovada em primeiro lugar. Os relatores não informaram como ocorreu o repasse de respostas à mulher.
Após menção, a polícia teria verificado as notas obtidas por Lariça no CNU e identificado discrepância nos resultados da primeira e segunda fases do certame.
Segundo informações do g1, que acessou o documento, na primeira fase, Lariça teve a melhor nota nas provas objetiva e discursiva, já na segunda, as notas foram “relativamente baixas”.
As investigações iniciadas após denúncia anônima apontam que o grupo criminoso utilizava pontos eletrônicos para informar respostas, fotos de cadernos de questões e acesso antecipado ao gabarito.
Os valores cobrados pela organização suspeita variavam de acordo com os cargos pretendidos. A reportagem aponta que para funções como auditor fiscal, na qual Lariça concorreu e foi aprovada, o valor chegava a R$ 500 mil.
Os documentos da PF apontam que o esquema envolve um ex-policial militar da Paraíba que teria sido, juntamente com dois parentes, aprovado no CNU 2024.
Áudios encontrados em um celular com participantes do grupo destacam a necessidade de subornar vigilantes, desligar câmeras e pagar pessoas para fazer a prova no lugar do candidato.
O documento também destaca o nome de Waldir Luiz de Araújo Gomes, ex-funcionário da Cesgranrio, organizadora do CNU, e que foi aprovado no Tribunal Regional da Paraíba. Waldir teria conseguido acesso antecipado às provas e explicava como violar os envelopes.
Por nota, a PCPE informou que não se pronuncia sobre investigações realizadas por outros órgãos.