Caso Beatriz faz 10 anos: dor, saudade e sentimento de impunidade marcam morte de menina em Petrolina

  10 de dezembro de 2025
Fabiano Santos por Fabiano Santos

Neste mês de dezembro, o Brasil se lembra de uma das tragédias mais impactantes da última década: a morte de Beatriz Angélica Mota, uma menina de 7 anos que, em 10 de dezembro de 2015, foi brutalmente assassinada durante uma festa em Petrolina, Pernambuco. A dor e a saudade que cercam essa história permanecem latentes, especialmente entre familiares, amigos e a comunidade local.

Beatriz desapareceu em meio a um evento familiar, e seu corpo foi encontrado horas depois em uma sala da escola onde a festa acontecia. Desde então, a busca por justiça se tornou um clamor coletivo. Apesar das investigações e da mobilização da sociedade, o caso permanece sem uma solução definitiva, alimentando um sentimento de impunidade que ressoa fortemente entre os que acompanharam a tragédia.

Para os pais, a data apenas reforça o forte sentimento de impunidade, acompanhado da falta que a filha faz todos os dias. Réu confesso do crime, Marcelo da Silva, permanece preso – sem data para ser levado a júri popular.

A menina foi morta a facadas durante uma festa de formatura no Colégio Nossa Senhora Auxiliadora, na noite de 10 de dezembro de 2015. Ela estava na quadra poliesportiva com os pais e saiu para beber água. Segundo as investigações, Marcelo entrou com facilidade na instituição de ensino e fez a abordagem violenta, levando a menina até uma sala desativada e praticando o crime. Ele teria abordado outras crianças antes, mas sem violência. 

Ao longo dos anos, o crime foi marcado por cobrança dos pais para que as investigações avançassem. Durante os primeiros sete anos, delegados foram substituídos diversas vezes e, por fim, uma força-tarefa foi formada pela Polícia Civil e outra pelo Ministério Público para tentar elucidar o caso. 

Os investigadores da Polícia Civil conseguiram chegar até Marcelo da Silva em janeiro de 2022, após o cruzamento de DNA, a partir das amostras coletadas na faca usada para matar Beatriz. 

O acusado, que já estava preso por outro crime, confessou à polícia que havia entrado no colégio para conseguir dinheiro e que a menina teria se assustado ao encontrá-lo. Ele disse que a esfaqueou para que parasse de gritar. A confissão foi gravada pela polícia em vídeo. 

O réu foi denunciado à Justiça por homicídio triplamente qualificado (motivo torpe, com emprego de meio cruel e mediante dissimulação, recurso que dificultou a defesa da vítima). 

Já no interrogatório, na fase de audiência de instrução e julgamento do processo, Marcelo permaneceu em silêncio – por orientação da defesa, que insiste na tese de que ele não é culpado pelo crime.

Uma carta supostamente escrita pelo réu chegou a ser divulgada, na época, com os escritos: “Eu sou inocente, eu não matei a criança”. 

“Foram sete anos para a gente identificar o assassino de Beatriz, pra gente descobrir a motivação desse crime covarde, cruel. E agora são três anos que a gente vem aguardando a justiça para levar ele [réu] a júri popular, esse assassino covarde. A gente espera o mínimo do Judiciário: que esse processo seja célere, para que a gente possa garantir a Beatriz a justiça. E garantir que nenhuma outra criança vai ser vítima desse ‘monstro'”, disse a mãe da criança. 

“A nossa família espera que a justiça seja feita o mais rápido possível para que a gente possa viver em paz, para que a gente possa ter dignidade para chorar por Beatriz todos os dias. A esperança que me move é de um dia poder reencontrar minha filha. Eu sou cristã e acredito. E foi esse amor e essa fé que me motivou todos esses anos”, completou

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